A atuação do médico Dalmar Perciliano Soares durante a tragédia do metanol em Santo Amaro, em 1999, voltou a ser reverenciada em homenagem promovida pela Associação Bahiana de Medicina.

Na época secretário municipal de Saúde, Dalmar Soares teve papel decisivo na identificação da intoxicação coletiva que provocou a morte de 16 pessoas e deixou dezenas de vítimas, em um dos maiores casos de contaminação por metanol registrados no Brasil.

A suspeita do médico surgiu após duas mortes repentinas ocorridas dias depois de um velório no povoado de Tabuleiro, na zona rural de Santo Amaro. Diante das circunstâncias, ele enfrentou resistência de familiares e lideranças locais para impedir o sepultamento e determinar a remoção dos corpos ao Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, em Salvador.

Mesmo após a necropsia inicial não apontar conclusões definitivas, Dalmar continuou investigando o caso. Conhecedor dos costumes locais, levantou a hipótese de contaminação por bebida alcoólica servida durante o velório.

A partir dessa linha de investigação, o médico rastreou a origem da cachaça consumida pelas vítimas, recolheu amostras em um depósito comercial e encaminhou o material para análise laboratorial. Os exames confirmaram a presença de metanol na bebida, permitindo que as autoridades alertassem rapidamente a população e evitassem um número ainda maior de vítimas.

Além da tragédia do metanol, Dalmar Soares também teve atuação destacada durante o surto de cólera registrado em Santo Amaro após as enchentes de 1989.

Na ocasião, trabalhou no atendimento de pacientes desidratados, enfrentando dificuldades como a falta de medicamentos e cobrando providências emergenciais do poder público.

Entre as ações articuladas por ele junto ao Governo do Estado estiveram a implantação de uma ala específica no Hospital Nossa Senhora da Natividade e recursos para a construção de uma estação de tratamento de esgoto, considerada fundamental para a redução da poluição do Rio Subaé.

O médico também ficou conhecido pelo atendimento humanizado a idosos em um asilo de Santo Amaro, onde mantinha acompanhamento constante dos pacientes.

Natural de Piatã, Dalmar Perciliano Soares nasceu em 27 de julho de 1945 e formou-se em Medicina em 1971 pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Ao longo de mais de cinco décadas de atuação, especializou-se em Pediatria, Clínica Médica, Medicina do Trabalho, Psicoterapia e Saúde Pública.

Sua trajetória profissional inclui passagens pelos municípios de São Félix, Feira de Santana, Conde e atualmente Brumado, onde reside e atua no Hemoba e na pediatria da Somepe.

Dalmar também exerceu a docência na Faculdade de Medicina de Guanambi, campus Brumado.

Em reconhecimento à contribuição do médico para a saúde pública baiana, a Associação Bahiana de Medicina concedeu a ele o título de Mérito Médico.

A homenagem foi proposta pelo médico Jorge Jambeiro, que destacou a coragem ética, o compromisso humano e a dedicação científica presentes na trajetória de Dalmar Perciliano Soares.

“A trajetória do Doutor Dalmar reúne episódios que marcaram a história da saúde pública baiana e reafirma o sentido maior da medicina: servir”, afirmou Jorge Jambeiro.

Texto: José Sinval Soares, jornalista.

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