A Lei Seca completa 18 anos nesta sexta-feira (19), mas um levantamento recente acende um alerta sobre a segurança no trânsito brasileiro. Segundo estudo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), a taxa de mortes em acidentes relacionados ao consumo de álcool voltou a crescer após cinco anos consecutivos de redução.
De acordo com os dados mais recentes, referentes a 2024, o Brasil registrou média de 6,2 mortes por 100 mil habitantes em acidentes de trânsito associados ao uso de álcool. O índice é o maior desde 2016, quando a taxa foi de 6,4 mortes por 100 mil habitantes.
O levantamento utiliza informações do DataSUS, sistema que reúne dados da rede pública de saúde em todo o país. No total, foram contabilizados 13.075 óbitos em 2024, um aumento de 6,2% em relação ao ano anterior.
Para especialistas, uma das possíveis explicações para o aumento dos acidentes fatais está na expansão acelerada da frota de motocicletas após a pandemia.
Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que o número de motos registradas no país saltou de 23,6 milhões em 2019 para 28,3 milhões em 2024, crescimento de aproximadamente 20%. No mesmo período, a frota de automóveis cresceu cerca de 12%.
A coordenadora do Cisa, a socióloga Mariana Thibes, afirma que o aumento do número de motociclistas tornou o trânsito mais complexo e elevou os riscos de acidentes graves.
Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os motociclistas representaram cerca de 40% das mortes no trânsito registradas em 2023.
O levantamento também revela que os homens seguem sendo as principais vítimas dos acidentes relacionados ao consumo de álcool. Eles representam 86,7% dos óbitos registrados e 81,8% das hospitalizações decorrentes desse tipo de ocorrência.
Entre os estados com as maiores taxas de mortalidade por álcool no trânsito estão Tocantins, Piauí e Mato Grosso, todos acima da média nacional. Mesmo com o reforço das ações de fiscalização, os números continuam preocupando.
No estado de São Paulo, por exemplo, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) ampliou significativamente as operações da Lei Seca. Em 2025, foram realizadas 1.272 blitze, contra 565 no ano anterior, um aumento superior a 120%.
O número de autuações por alcoolemia também cresceu, passando de 12,8 mil para cerca de 20 mil registros.
Especialistas defendem ações integradas
Para profissionais da área de trânsito, a legislação continua sendo fundamental para salvar vidas, mas precisa ser acompanhada por outras medidas.
Entre as estratégias apontadas estão o fortalecimento da fiscalização, campanhas educativas permanentes, ampliação do atendimento de emergência e ações específicas voltadas ao público masculino, que concentra a maioria das vítimas.
Especialistas também defendem a construção de uma cultura em que dirigir após consumir bebidas alcoólicas seja socialmente inaceitável, associando educação, tecnologia e fiscalização para reduzir os índices de mortalidade nas estradas e cidades brasileiras.
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